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sábado, 5 de setembro de 2009

Homilética

A RELEVANCIA DA PREGAÇÃO EXPOSITICA E CRISTOCENTRICA NO MINISTÉRIO PASTORAL


Homilética - Pregação Ao Alcance de Todos

Sermão Textual

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

terça-feira, 1 de setembro de 2009

terça-feira, 2 de junho de 2009

Forum com Defeito

 
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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Prova Correios Atendente Comercial




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Prova Concurso Correios Atendente Comercial




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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Ideologia e Alienação



Texto Complementar- Ideologia e Alienação
Lisnéia Aparecida Rampazzo

DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO

O termo ideologia aparece pela primeira vez em 1801, no livro de Destutt de Tracy, Eléments dÍdéologie (Elementos de Ideologia). Destutt pretendia elaborar uma ciência da gênese das idéias, tratando-as como fenômenos naturais que exprimem a relação do corpo humano, enquanto organismo vivo, com o meio ambiente. Com Marx, passa a designar um sistema de idéias condenadas a desconhecer sua relação com o real.

A palavra Ideologia foi usada pela primeira vez no sentido político mais amplo, por Karl Marx, há pouco mais de 100 anos. Marx, pensador e militante político alemão, lutava pela causa operária. Nos seus escritos, identificou claramente a sociedade como sendo dividida em dois grandes blocos opositores: um chamado burguesia (patrões, proprietários), e o outro, proletariado (sem vantagens, trabalhava mais de 14 horas/dia, iniciada a implantação das indústrias na Europa, sem regalias ou direitos). Se a sociedade era assim dividida, haveria também, na consciência dessas classes, uma divisão da mesma natureza.

Marx dizia que a luta existente entre a classe dos trabalhadores e a classe dos proprietários era uma luta que não ocorria somente na prática, ou seja, não ocorria somente pelo confronto e agressão física, mas também, como uma divisão em relação às idéias que essas classes possuíam. Ideologia, para Marx, era esse conjunto de idéias pertencentes a cada classe.
Marx e seu companheiro Engels não se preocuparam muito com essa questão das idéias. Estavam mais interessados no problema da prática política e econômica e das diferenças de classe, e em como a classe proletária poderia chegar ao poder. O problema ideológico era um problema que existia para eles em um plano mais discreto. Em seus escritos, a ideologia era apontada como uma “forma falsa” com a qual a classe dos proprietários tentava justificar suas atitudes e suas políticas antioperárias. Neste sentido, então, a palavra ideologia significava uma explicação errada, intencionalmente falsa, dos fatos que aconteciam na luta entre as classes.

As idéias de Marx e Engels repercutiram de forma muito forte, a ponto do movimento operário, no final do século passado, ter-se difundido bastante e exigido transformações muito radicais na sociedade.
A transformação mais significativa, que ocorreu após a morte de Marx e Engels, foi a Revolução Russa, em 1917, liderada por Lênin.

http://rosenblumtv.files.wordpress.com/2007/10/lenin.jpg
Para Lênin, a questão das ideias já começava a ser um pouco mais preocupante. Lênin sabia claramente que tanto os trabalhadores quanto os patrões possuíam ideias próprias, específicas, e para ele o conceito de ideologia era muito claro: havia duas ideologias na sociedade, a proletária e a burguesa.
Aquele pensamento de que ideologia é uma coisa falsa, usada para enganar, para explicar os fatos de forma errada, já não era aceita por Lênin. Ela foi adquirindo cada vez maior importância. Iniciava-se também, em 1920, a diluição daquilo que foi chamado de ideologia ou cultura proletária.

Mudança no conceito
Os trabalhadores passaram a ganhar mais, a participar mais da vida burguesa, ou seja, passaram a ter mais direitos, a poder comprar mais, e deixaram de morar em locais tão miseráveis, tão insalubres e pobres. Iniciou-se, no começo desse século, uma chamada “integração” do operário na vida cultural da sociedade. As ideias dos burgueses começaram a fazer parte das ideias dos trabalhadores, sendo que o aparecimento dos meios de comunicação (rádio, cinema, jornal) contribuiu muito para que isso acontecesse. Acabou a história de que o operário formava um grupo à parte na sociedade.

Logo após a Revolução Russa, ocorreu um rápido desenvolvimento do Capitalismo, principalmente na Europa. Esse período foi marcado por uma discussão muito séria sobre a Ideologia. George Lukács, pensador húngaro, foi o primeiro a ousar declarar que o Movimento Operário alemão não conseguiu êxito, impor-se, porque a cabeça do trabalhador vivia uma relação muito ambígua, uma relação dupla: possuía, ao mesmo tempo, uma série de ideias que reforçavam o ideal de solidariedade, união dos trabalhadores na luta pelo poder e pela revolução, mas também outras que iam para o lado contrário. O lado burguês reforçava a posição individual (de cada um por si, de “quanto mais eu tiver, melhor”, e coisas do gênero). Ou seja, havia algumas noções, certos pensamentos burgueses que se misturavam na consciência dos trabalhadores, fato que não terminou em 1930 e não desapareceu com a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Essa nova forma de encarar o problema da ideologia é que marca também o pensamento mais recente.


AMPLIAÇÃO DO CONCEITO

Marx via o conceito de ideologia como consciências separadas de proletários e burgueses.

Lukács e os pensadores modernos viam a questão da consciência operária como alguma coisa mista, um conjunto de ideias, às vezes até bem opostas à sua realidade de classe. Depreende-se daí que a ideologia significou apenas um tipo de pensamento preocupado com a questão política: “Quem domina a sociedade? E esse que domina, domina quem?”
A questão da ideologia, nos dias atuais, é um pouco mais ampla do que isso. Não é apenas uma questão política, de ser contra ou a favor do proletário, da burguesia, do capitalismo ou do socialismo.
Para caracterizar a ideologia, recorremos à autora Chauí, que nos preconiza 6 aspectos:

Se tomarmos ideologia como uso de formas simbólicas para criar ou reproduzir relações de dominação, podemos concluir que as representações sociais, pelo fato de serem simbólicas, podem ser ideológicas, mas não podemos deduzir isto a priori.
Para dizer que uma representação social é ideológica, precisamos primeiro mostrar que ela serve, em determinadas circunstâncias, para criar ou reproduzir relações de dominação.

Uma Representação Social é ideológica se, com o uso de formas simbólicas, em determinadas circunstâncias, serve para criar ou reproduzir dominação. Convém aqui fazer uma breve colocação acerca do que sejam essas formas simbólicas e a dominação. As primeiras estão inseridas nos contextos sociais e correspondem a comportamentos, falas, imagens, textos, produzidos pelos indivíduos e reconhecidos por eles e pelo grupo. Dominação é “uma relação que se estabelece entre pessoas ou grupos onde uns interferem e se apropriam das capacidades ou habilidades de outros, de maneira assimétrica” (Oliveira & Werba, 1998, p.112)
A função da ideologia é nos impedir de pensar nos determinantes de nossas condições de vida.
A ideologia opera pela inversão (função social feminina), pela produção do imaginário social (explicações coerentes; prescreve à sociedade o que deve e como deve pensar, falar, sentir e agir), pelo silêncio.

A função principal da ideologia é ocultar e dissimular as divisões sociais e políticas, dar-lhes a aparência de indivisão e de diferenças naturais entre os seres humanos.
Indivisão: apesar da divisão social das classes, somos levados a crer que somos todos iguais porque participamos da ideia de “humanidade” ou da idéia de “nação” e “pátria” ou de “raça”, etc.

Diferenças naturais: somos levados a crer que as desigualdades sociais, econômicas e políticas não são produzidas pela divisão social das classes, mas por diferenças individuais dos talentos e das capacidades, da inteligência, da força de vontade maior ou menor, etc.


A produção ideológica da ilusão social tem como finalidade fazer com que todas as classes sociais aceitem as condições em que vivem, julgando-as naturais, normais, corretas, justas, sem pretender transformá-las ou conhecê-las realmente, sem levar em conta que há uma contradição profunda entre as condições reais em que vivemos e as ideias.
Por exemplo, a ideologia afirma que somos todos cidadãos e, portanto, temos todos os mesmos direitos sociais, econômicos, políticos e culturais. No entanto, sabemos que isso não acontece de fato: as crianças de rua não têm direitos; os idosos não têm direitos...
Para resumir, pessoal, ideologia é um conjunto de ideias, de procedimentos, de valores, de normas, de pensamentos, de concepções religiosas, filosóficas, intelectuais, que possui certa lógica, certa coerência interna e que orienta o sujeito para determinadas ações, de uma forma partidária e responsável.

Alienação
Marx investigou a alienação social. Interessou-se em compreender as causas pelas quais os homens ignoram que são os criadores da sociedade, da política, da cultura, da história, e acreditam que a sociedade não foi instituída por eles, mas por vontade e obra de deuses, da natureza, da razão...
Por que os homens não se reconhecem como sujeitos sociais, políticos, históricos, como agentes e criadores da realidade? Por que as pessoas não se percebem como sujeitos e agentes e se submetem às condições sociais, políticas, culturais, como se elas tivessem vida própria, poder próprio, vontade própria e os governassem, em lugar de serem controladas e governadas por eles?

Para compreender o fenômeno da alienação, Marx estudou o modo como as sociedades são produzidas historicamente pela práxis dos seres humanos. Verificou que, historicamente, uma sociedade sempre começa por uma divisão e que essa divisão organiza todas as relações sociais que serão instituídas posteriormente. Trata-se da divisão social do trabalho.
Na luta pela sobrevivência, os seres humanos se agrupam para explorar os recursos da natureza e dividem as tarefas dos homens adultos, das mulheres... A partir dessa divisão, organizam a primeira instituição social: a família.
As famílias trabalham e trocam entre si os produtos do trabalho. Surge uma segunda instituição social: a troca, ou seja, o comércio. Algumas famílias conquistam mais bens que outras, tornam-se mais ricas. As mais pobres vêm-se obrigadas a trabalhar para as mais ricas em troca de produtos para a sobrevivência. Começa a surgir a terceira instituição social: o trabalho servil, que desembocará na escravidão. Os mais ricos e poderosos reúnem-se e decidem controlar o conjunto de famílias, distribuindo entre si os poderes e excluindo algumas famílias de todo o poder. Começa a surgir a quarta instituição social: o poder político, de onde virá o Estado.
Nessa altura, os seres humanos já começaram a explicar a origem e a finalidade do mundo, já elaboraram mitos e ritos. As famílias ricas e poderosas dão a alguns de seus membros autoridade exclusiva para narrar mitos e celebrar ritos. Criam uma outra instituição social, a religião, dominada por sacerdotes, de famílias poderosas e que, por terem a autoridade para se relacionar com o sagrado, tornam-se temidos, venerados pelo restante da sociedade. É um novo poder social.
Os vários grupos de famílias dirigentes disputam entre si terras, animais e servos e dão início a uma nova instituição social, a guerra, com a qual os vencidos se tornam escravos dos vencedores, e o poder econômico, social, militar, religioso e político se concentram ainda mais em poucas mãos.
Com essa descrição, Marx observou que a sociedade nasce pela estruturação de um conjunto de divisões:


Divisão sexual do trabalho
Divisão social do trabalho
Divisão social das trocas
Divisão social das riquezas, divisão social do poder econômico
Divisão social do poder militar
Divisão social do poder religioso
E divisão social do poder político. Por que divisão?
Porque em todas as instituições sociais (família, trabalho, comércio, guerra, religião, política) uma parte detém poder, riqueza, bens, armas, idéias e saberes, terras, trabalhadores, poder político, enquanto outra parte não possui nada disso, estando subjugado à outra, rica, poderosa e instruída.
Esse conjunto estruturado de divisões torna-se cada vez mais complexo, intricado, numeroso, multiplicando-se em muitas outras divisões, sob a forma de numerosas instituições sociais, e que acabam por revelar a estrutura fundamental das sociedades como divisão das classes. A esse conjunto de instituições nascidas da divisão social, Marx deu o nome de condições materiais da vida social e política. Por que materiais? Porque referem-se ao conjunto de práticas sociais pelas quais os homens garantem sua sobrevivência (trabalho e troca dos produtos do trabalho) e constituem a economia.
A variação das condições materiais de uma sociedade constitui a História da mesma. Marx a designou como modos de produção.
“Os homens fazem a história, mas não sabem que a fazem” (Marx apud Chauí:172). Os homens acreditam que fazem o que fazem e pensam o que pensam porque são indivíduos livres, autônomos e com poder para mudar o curso das coisas como e quando quiserem. Ex: o pobre é pobre porque quer.
A alienação social é o desconhecimento das condições histórico-sociais concretas em que vivemos, produzidas pela ação humana, também sob o peso de outras condições históricas anteriores e determinadas. Há uma dupla alienação: por um lado, os homens não se reconhecem como agentes e autores da vida social, com suas instituições, mas por outro lado e ao mesmo tempo, julgam-se indivíduos plenamente livres, capazes de mudar sua vida como e quando quiserem, apesar das instituições sociais e das condições históricas. No primeiro caso, não percebem que instituem a sociedade; no segundo caso, ignoram que a sociedade instituída determina seus pensamentos e ações.

AS TRÊS FORMAS DE ALIENAÇÃO SOCIAL nas sociedades modernas ou capitalistas


1. A alienação social: nesta, os humanos não se reconhecem como produtores das instituições sociopolíticas e oscilam entre duas atitudes: ou aceitam passivamente tudo o que existe, por ser considerado como natural, divino ou racional, ou se rebelam individualmente, julgando que, por sua vontade e inteligência, podem mais do que a realidade que os condiciona. Nos dois casos, a sociedade é o outro (alienus), algo externo a nós, separado de nós, diferente e com poder total ou nenhum sobre nós.

2-A alienação econômica: nesta forma de alienação, os produtores não se reconhecem como produtores nem se reconhecem nos objetos produzidos por seu trabalho. Em nossas sociedades modernas, a alienação econômica é dupla: em primeiro lugar, os trabalhadores, como classe social, vendem sua força de trabalho aos proprietários do capital (donos das indústrias, etc.). Vendendo sua força de trabalho no mercado, os trabalhadores são mercadorias e, como toda mercadoria, recebem um preço, isto é, um salário. Entretanto, os trabalhadores não percebem que foram reduzidos à condição de coisas que produzem coisas; não percebem que foram desumanizados e “coisificados”.

2. A alienação intelectual: resultante da separação social entre trabalho material (que produz mercadorias) e trabalho intelectual (que produz idéias). A divisão social entre as duas modalidades de trabalho leva a crer que o trabalho material é uma tarefa que não exige conhecimentos, mas apenas habilidades manuais, enquanto o trabalho intelectual é responsável exclusivo pelos conhecimentos. Vivendo numa sociedade alienada, os intelectuais também se alienam. Sua alienação é tripla:

Primeiro, esquecem ou ignoram que suas idéias estão ligadas às opiniões e pontos de vista da classe a que pertencem, isto é, a classe dominante, e imaginam, ao contrário, que são idéias universais, válidas para todos, em todos os tempos e lugares.
Segundo, esquecem ou ignoram que as idéias são produzidas por eles para explicar a realidade, e passam a crer que elas se encontram gravadas na própria realidade e que eles apenas as descobrem e descrevem sob a forma de teorias gerais.
Terceiro, acreditam que as idéias existem em si e por si mesmas, criam a realidade e a controlam, dirigem e dominam. Pouco a pouco, passam a acreditar que elas se produzem umas às outras, são causas e efeitos umas das outras e que somos apenas receptáculos delas ou instrumentos delas. As idéias se tornam separadas de seus autores, externas a eles, transcendentes a eles; tornam-se um outro.
As três formas de alienação (social, econômica e intelectual) são a causa do surgimento, da implantação e do fortalecimento da ideologia.



Referencial bibliográfico


BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 1999. 368 p.

CHAUÍ, Marilena. O que é ideologia. São Paulo: Brasiliense, 1997. 125 p. (Coleção Primeiros Passos, 13).

LANE, Silvia T. Maurer; CODO, Wanderley (Org.). Psicologia social: o homem em movimento. 13. ed. São Paulo: Brasiliense, 1995. 220 p.

Chaui, Marilena. “ O Conhecimento” in: Convite à Filosofia
Ed. Ática, São Paulo, 2000.

Fonte: Texto Complementar- Ideologia e Alienação
Lisnéia Aparecida Rampazzo

segunda-feira, 30 de março de 2009

A ÉTICA PROTESTANTE E O ESPÍRITO DO CAPITALISMO, de MAX WEBER
RESENHALIVRO: “A ÉTICA PROTESTANTE E O ESPÍRITO DO CAPITALISMO”, DE MAX WEBER *

A princípio, Max Weber questiona as razões pelas quais os meios de administração do capital encontram-se no comando quase exclusivo de indivíduos adeptos do protestantismo. Para tanto, isto é, interrogando tal fato observável em sua época, Weber apoia-se em dados históricos, visando, com isso, a obtenção de respostas. Construindo um painel histórico-comparativo entre as especificidades do protestantismo, bem como do catolicismo, Weber extrai, então, o campo argumentativo que visa comprovar a burocracia religiosa como uma das principais determinantes na formação e na estruturação históricas do sistema capitalista. O primeiro fenômeno analisado pelo sociólogo alemão está relacionado ao princípio de que os protestantes, com o objetivo em atingir elevadas posições no interior da estratificação social capitalista, necessitaram de certa posse prévia de capital estreitamente vinculada ao desenvolvimento de uma rigorosa formação educacional. Assim, alegando que o fator econômico estimula a autoridade no plano individual, foi possível ao Calvinismo, por ocasião do seu surgimento, transpor ao nível da ideologia de massas as novas leis econômicas e as novas relações sociais que provinham do poder da ascendente classe burguesa. Em linhas gerais, a burguesia cria o próprio “fiscal ideológico”, para, com isso, garantir, mediante a educação, a mão de obra qualificada e a manutenção do capital acumulado. Ademais, elevadas parcelas do referido capital são empregadas numa dispendiosa educação, voltada, exclusivamente, para a manutenção da posse do capital. À luz desses dados, Weber aponta para uma outra questão: por que a revolução religiosa ocorreu, afinal, em países compostos por grandes cidades e dotados de vastíssimos recursos naturais, além de apresentarem maior grau de desenvolvimento econômico na ocasião? Como já foi mencionado acima, tal fato está relacionado à posse prévia do capital herdada pelos protestantes. Outro fator está diretamente ligado ao direcionamento do ensino superior. Se, por um lado, o ensino católico visa exclusivamente uma formação humanística, desmotivando, desse modo, os estudantes rumo aos empreendimentos capitalistas, por outro lado, o ensino protestante fomenta, em seu currículo educacional, preparar indivíduos aptos a preencher os quadros especializados das empresas capitalistas, nas quais eles conseguem obter sucesso profissional, pois atendem aos requisitos da nova ordem econômica estabelecida, os quais requerem, sobremaneira, mão de obra qualificada. Quanto à proeminente tendência do racionalismo econômico imanente ao Protestantismo - algo ausente no catolicismo -, Weber nos chama a atenção para estes respectivos posicionamentos opostos. Na verdade, eles devem ser procurados no caráter intrínseco de cada religião: em primeiro lugar, o caráter ascético do Catolicismo, a indiferença ao mundo num acentuado contraponto ao caráter obreiro do Protestantismo. Uma vez equacionada tal questão, obtemos o seguinte provérbio: “Coma ou durma bem”, no qual o primeiro verbo é a justa medida para os protestantes; o segundo, para os católicos. Contudo, esta visão unilateral pode nos levar a extremas contradições. O termo do provérbio reservado aos protestantes traduz-se em “alegria de viver”. Todavia, o passado evidencia o contrário, visto que entre os holandeses, os puritanos ingleses e os norte-americanos, além dos franceses, havia uma forte convicção religiosa na maneira de viver que determinava o alheamento do mundo. Por outro lado, as camadas sociais inferiores francesas, adeptas do Catolicismo, demonstravam intensos interesses nos prazeres da vida, característica tipicamente da mentalidade materialista. Weber estende-se noutros exemplos semelhantes. No entanto, o mais importante, se se quiser trabalhar com tudo o que foi apresentado até o presente momento, é tomarmos um certo distanciamento desses fenômenos contraditórios inscritos em cada religião, por ora questionada, e nos determos em observações sobre o seguinte par de opostos, isto é: ascetismo/anti-ascetismo, acrescentando a ele a reação contra a autoridade católica, representada em grande número pelos adeptos do Pietismo, além da ruptura que o Calvinismo promoverá ao estimular, entre os seus adeptos, a prática do comércio; requisito, aliás, poderoso, no que se refere ao desenvolvimento do capitalismo. Em suma, Weber enfatiza que, historicamente, ocorre a conjugação de duas máximas: a propagação de uma intensa religiosidade aliada ao espírito mercantil da ocasião, cujos vínculos, isto é, entre “espírito de trabalho” e o “progresso”, e o produto daí resultante jamais pode ser confundido com a “alegria de viver” dos protestantes, porque estão intimamente relacionados às características puramente religiosas. Ponderando com mais intensidade sobre a configuração do quadro conceitual até o momento explorado e buscando as peculiaridades que norteiam a diversidade dos ramos religiosos oriundos do Cristianismo, Max Weber, por meio de uma série de citações atinentes às regulamentações econômicas que rege a vida social dos norte-americanos, proclamadas por Benjamin Franklin, e satirizadas como a “fé” do yankee – em virtude do conteúdo presente em cada mandamento econômico que, em seu conjunto, atribui à moeda um exagerado endeusamento -, Weber, no tópico “O ‘Espírito’ do Capitalismo” (cf. p.28), enfatiza que se um dos mandamentos econômicos (“tempo é dinheiro”, “crédito é dinheiro” etc) não for observado pelo fiel, o crente é acusado de infrator, além de não-cumpridor de seus deveres cívicos. Livre da influência direta da religião, esta característica particular do capitalismo ocidental configura toda uma significação cultural, e dela emana uma ética de caráter peculiar. Nesse caso, o capitalismo ocidental possui um “ethos particular”, pois é dotado de uma concepção utilitarista, mediante as qualidades que mais se destacam, como por exemplo: a honestidade financeira; a pontualidade nos pagamentos; a laboriosidade desenvolvida nas atividades profissionais dentre outras congêneres, as quais se tornam virtudes úteis ao cidadão comum, como por exemplo, somar ou ganhar dinheiro transforma-se, nesse caso, em finalidade última na vida dos indivíduos, na medida em que esta prática atinge níveis consideráveis dentro do campo do irracionalismo e do transcendentalismo religioso protestante. De outra parte, como base fundamental deste processo, destaca-se o dever profissional caracterizado como a “ética social” da cultura capitalista. Nesse sentido, tanto o fabricante que se opor às normas estabelecidas quanto os trabalhadores, ambos estarão sujeitos à exclusão do sistema econômico. Dessa forma, é viável ao capitalismo escolher aqueles que comporão o quadro burocrático-administrativo, porque eles deverão estar voltados à sustentação do referido sistema econômico. Por outro lado, toante Weber, é preciso refletir sobre uma questão, ou seja, como esta “filosofia de vida”, que não teve origem dentro do limites de “seleção social”, pode se firmar como norma de vida mediante a qual o poder capitalista consegue arrebanhar e convencer uma totalidade de indivíduos - sem qualquer reação preconceituosa - inserida no interior de um contexto histórico? Nesse caso, é preciso situar as diferenças existentes entre os espíritos capitalista e o pré-capitalista; e Weber aponta para pontos decisivos nos quais estas diferenças se manifestam. O espírito pré-capitalista pode ser ilustrado pelos holandeses que, dado à voracidade em ganhar altas somas de dinheiro, e não fazendo uso dos mecanismos racionais verificados atualmente nas grandes empresas capitalistas, enriqueceram-se; são tais fatos que explicam, segundo Weber, a breve hegemonia econômica holandesa num determinado período da história ocidental, mais especificamente quando da ocupação pelos europeus do continente americano. Em linhas gerais, o espírito do capitalismo exige não somente o acúmulo monetário, mas indivíduos inclinados a negócios, disciplinados, igualmente no que se refere à utilização racional do capital, bem como “trabalhadores conscientizados” a produzir cada vez mais, objetivando “melhorar de vida”, em detrimento à concepção de vida que se traduz em trabalhar para ganhar o suficiente para viver. Assim, o espírito capitalista e a determinação econômica inspiram uma luta constante sobre qualquer tradicionalismo econômico. Porém, partindo-se do princípio de que a classe dominante, isto é, a burguesia, é quem determina as medidas de aplicação salarial aos trabalhadores, são os últimos que exercerão, portanto, o papel de subserviência a tal conjunto de medidas capitalistas. No caso do surgimento de uma reação contrária, por parte dos trabalhadores, frente a tais arbitrariedades emanadas do poder burguês, o espírito do capitalismo convence as consciências de que o trabalho deve ser concebido como um fim absoluto, ou melhor, como uma “vocação”, distanciando, desse modo, as preocupações dos trabalhadores com respeito às questões salariais. O referido mecanismo, nesse caso, deita raízes no processo educacional do protestantismo, que se torna um poderoso aliado do capitalismo, na medida em que a referida educação caracteriza-se por se mesclar com os conceitos fundamentais do protestantismo. Resumidamente, podemos nomear este mecanismo como uma tríade composta pelos seguintes termos: educação-econômico-religiosa, propiciando, desse modo, a formação de um quadro de funcionários com alto grau de concentração mental, fato que, conseqüentemente, determinará uma maior produtividade no mundo do trabalho. Eis, então, a gênese do espírito capitalista. Outras importantes particularidades são mencionadas por Max Weber. Dentre elas, a dos grandes empreendedores que, aplicando métodos específicos e eficazes de racionalização, aproximam-se dos consumidores por intermédio de certos princípios, como por exemplo, “baixos preços”, estimulando, desse modo, nos consumidores, o hábito do consumo e da aquisição material. Em contrapartida, cria-se o terreno propício para a luta contra os concorrentes, no qual as políticas econômicas de “baixos preços” e de “grandes giros” prevalecem e serão decisivas no que se relaciona à destruição do concorrente comercial mais fraco. Por meio de tais procedimentos, as fortunas adquiridas são reinvestidas em negócios, jamais favoráveis aos concorrentes, visando, sobretudo, a obtenção de lucros mediante a aplicação de juros sobre os empréstimos. Neste ponto, Weber assinala que não foi o investimento maciço de capital injetado nas indústrias que propiciou tal estado de coisas, mas o surgimento do espírito do capitalismo moderno. Consoante argumento acima exposto, Weber afirma que onde se encontra este “espírito” surge o próprio capital, sem a necessidade de uma acumulação primitiva. Isto mais se evidencia ao situarmos o conjunto das particularidades e das qualidades éticas pessoais do empreendedor capitalista que se resume no seguinte: num primeiro momento, ele catalisa a atenção de fregueses e de trabalhadores. Geralmente, trata-se de um homem que lutou na “dura escola da vida”, portanto, um indivíduo tipicamente regido pela mentalidade burguesa. Num determinado momento, ele se afasta da religião, pois os negócios e o trabalho, ambos contínuos, absorvem todo o tempo livre do referido empreendedor. Tudo isto acompanhado de um forte desejo de considerações alheias, tendo em vista o intuito de adquirir a atenção de poderes ilimitados. Por tais fatores, o modo de vida do empreendedor capitalista adquire novos hábitos, cujos gastos desnecessários são eliminados, nada extraindo da própria fortuna e sempre “alegando” encontrar-se o patrimônio financeiro destinado para o futuro dos filhos ou dos netos. Esta posição oferece-lhe a sensação irracional de estar cumprindo com a sua tarefa. O sentimento religioso do empreendedor capitalista é descartado, bem como o protecionismo do Estado sobre os seus próprios negócios. Desse modo, as antigas bases do capitalismo, sustentadas pelo Estado e pela Igreja, com o aparecimento do “espírito” do capitalismo, têm as suas determinações negadas. Trata-se do rompimento definitivo com o que Weber denomina de tradicionalismo econômico. Contudo, questiona Weber, como uma atividade que, na melhor das hipóteses, sobretudo eticamente tolerada, pode se transformar em vocação? Somente por meio das máximas de Benjamin Franklin?! Não necessariamente, pois isto se explica pelo fato do mundo do trabalho capitalista adquirir uma organização de caráter extremamente racional, dando origem ao racionalismo econômico, o qual preconiza a fabricação de bens materiais para a humanidade - discurso característico dos representantes do capitalismo - os quais transformaram este modo de trabalho na única finalidade da vida profissional. Somado ao idealismo, norteador das mentalidades dos homens de negócios, que declaram ter “dado” emprego a inúmeras pessoas, encontra-se o nacionalismo exacerbado, preconizador de que os homens empreendedores são responsáveis pelo florescimento econômico de sua terra natal, temos, desse modo, o surgimento de uma filosofia racional em seu mais alto grau de desenvolvimento, na qual o papel do protestantismo é apenas um espaço que poderíamos denominar de “estágio” historicamente anterior ao desenvolvimento do racionalismo totalitário - por Weber identificado como o espírito do capitalismo. De outra parte, Max Weber explora os fundamentos religiosos do ascetismo laico, oriundos da Igreja Reformada, apresentando os principais representantes históricos do protestantismo ascético de forma esquemática, intencionando, com isso, evidenciar a inter-relação existente entre os diversos movimentos, além de tematizar o surgimento da luta dos referidos movimentos contra a manutenção da unidade da Igreja, isto é, contra a afirmação da doutrina da predestinação e das sanções psicológicas da nova prática religiosa, coagindo e orientando o indivíduo a agir conforme interesses religiosos práticos.Calvinismo O principal fundamento do Calvinismo encontra-se na doutrina da predestinação. Este dogma causou o cisma da Igreja Inglesa, representando um perigo político aos detentores de poderes laicos. Isto se explica na medida em que os seus adeptos, uma vez orientados pelos credos que nasciam dos Sínodos (donde nasce o corpo de “leis” que rege a doutrina da predestinação), faziam da elevação de sua autoridade (os predestinados) o elemento mais importante da luta religiosa. Uma das primeiras causas ligadas ao advento da doutrina da predestinação encontra-se no Luteranismo, mediante o protesto de Lutero ao pregar o sentido religioso da graça decretado pelos desígnios secretos de Deus. Em razão da vigorosa prática político-religiosa na qual Lutero se empreendeu durante a Reforma, tal fato o fez se afastar da idéia centralizada em Deus, substituindo-a por uma maior aproximação dos homens. Nesse sentido, o Calvinismo surge como um dogma que luta contra tal imposição, forçosamente decretada por Lutero, visto que Calvino determinará que os interesses estão apenas direcionados a Deus, não aos homens. Com efeito, a doutrina calvinista afirma que somente alguns homens são bem aventurados (doutrina da predestinação), e que nosso destino individual é algo tenebroso e misterioso. Desse modo, Deus não estaria submetido a nenhuma lei e, ao mesmo tempo, a morte é decretada aos homens que não respeitam as leis divinas. Este Deus calvinista configura-se como um Ser transcendental, além do alcance do conhecimento humano. O fato deste Deus conceder graça exclusiva tão-somente a alguns indivíduos, coloca-os em situação de extrema solidão, não permitindo aos designados qualquer sacramento ou sacerdote que possa auxiliá-los. Esta é uma característica típica do puritanismo genuíno que no Luteranismo não foi desenvolvido até o final. Daí tem origem a notável diferença entre o Catolicismo e o Calvinismo, na medida em que o último elimina e rejeita a “magia do mundo” representada por meio de símbolos, como por exemplo: cerimônias religiosas, músicas, sacerdotes etc. Desenvolvendo um individualismo de inclinação pessimista, o Calvinismo destrói qualquer tipo de manifestação subjetiva do ser por parte dos fiéis, pregando a descrença total nos homens ou até mesmo no mais íntimo amigo. Por outro lado, ocorre a irrupção de um acontecimento de grande importância para o desenvolvimento ético do Calvinismo, isto é, desaparece o ato da confissão. Nesse caso, somente Deus é o confidente. As conseqüências lógicas deste fato estão no isolamento espiritual do puritano, porque ele se preocupa somente com a própria salvação. Tais elementos criam no indivíduo um medo extremado. Para a superação deste medo, o Calvinismo, pregando que o mundo existe apenas para a glorificação de Deus, recomenda a prática da ordem social do mundo consoante os desígnios divinos – eis, aqui, o apaziguador do conflito. A prática da ordem social resume-se em revestir as tarefas diárias de um caráter objetivo e impessoal. Surge, dessa forma, para os calvinistas, a organização racional do meio ambiente, além da completa eliminação do problema teocrático. A doutrina da predestinação em muito contribuiu para o êxito deste projeto. Na certeza da graça, concedida aos predestinados, estes se atiram numa intensa atividade profissional, adquirindo autoconfiança quanto à certeza da graça concedida, impedindo, dessa forma, qualquer tipo de sentimento que venha causar ansiedade religiosa. Os fiéis adquirem, enfim, a fé. Para os calvinistas, a fé deve, por meio das obras humanas, apresentar resultados objetivos. Consoante Weber, na prática, isto significa que Deus ajuda quem se ajuda. Porém, para o Calvinismo as boas obras devem ser integradas, racionalizadas, jamais resumindo-se a atos isolados, a exemplo do que ocorrera no Catolicismo. Portanto, para os puritanos calvinistas, a racionalização do mundo e a eliminação da “mágica” são os únicos instrumentos suficientes para a salvação da alma. Esta santificação pelas obras, coordenada por um sistema unificado, aproxima-se do “Cogito, Ergo Sum”, de Descartes; aliás, máxima adotada pelos puritanos, donde origina-se toda uma reinterpretação ético-religiosa das Escrituras. Nesse caso, o ascetismo cristão adquire tanto um caráter racional quanto um método específico. Sob o impulso dos credos inclinados a liberar os homens dos impulsos irracionais provenientes do mundo e da natureza, anulando-os quanto ao gozo espontâneo e habilitando-os a uma vida alerta, é o resultado de tal comportamento que assegura ao Calvinismo o título de Igreja Militante. Porém, o ascetismo é transformado em atividade terrena. Assim, dado à formação de uma aristocracia espiritual integrada no mundo, pregando hostilidades aos não-pertencentes ao mesmo grupo, tal ambiente gera um clima de insatisfações, de conflitos. Desse modo, por parte dos excluídos, originam-se seitas religiosas provindas do próprio Calvinismo. As referidas seitas irão apoiar-se na doutrina da prova para se auto-conduzirem como movimentos distintos do Calvinismo. Mas, pelo fato de originarem-se de uma só corrente, isto é, do protestantismo ascético, seguem uma única lógica: “a busca pela ordenação racional sistemática da vida moral global”, toante argumento de Weber.Pietismo O Pietismo é um movimento religioso que se destaca pela busca da conexão entre a predestinação e a doutrina da prova: nisto reside o interesse fundamental do Pietismo. No interior do Pietismo reformado (holandês e do Baixo Reno) encontramos a ênfase na práxis pietista e na ortodoxia doutrinal, ambas em segundo plano. Na verdade, com o Pietismo, ocorre o reforço da prática religiosa em detrimento da teoria, ou seja, da teologia. Porém, na “eleição” dos predestinados, o conhecimento teológico e a práxis pietistas devem estar conjugados no decorrer da “escolha”. Mas o que mais diferencia o Pietismo do Calvinismo encontra-se no ascetismo acentuado dos pietistas, no intuito de “gozar a vida” junto a Deus na conduta diária. Daí originam-se verdadeiras cenas de histerismo, dado o lado emocional dos fiéis exacerbado pelo pietismo. Trata-se da religiosidade prática empenhada no gozo da salvação, distanciando-se da preocupação ascética; é uma busca em tornar visível a Igreja dos escolhidos na Terra. Em resumo, é tanto uma intensificação quanto uma explicitação da doutrina da prova. Porém, o maior trunfo do Pietismo consiste no auxílio que presta quanto à penetração da conduta metódica e supervisionada nas seitas não-calvinistas. Outro dado importante inscrito no Pietismo está relacionado ao tipo da graça divina manifestada: ela é oferecida uma única vez aos homens. Trata-se da doutrina do Terminismo. Além disso, o Pietismo possui um desprezo total pela especulação filosófica, pois, como já fôra acima assinalado, a preferência da doutrina recai no conhecimento empírico. Daí origina-se a Irmandade, que se configura como uma grande empresa de negócios. Contudo, caso comparado com o Calvinismo, a intensificação racional da vida pelos pietistas foi menos acentuada, sobretudo em relação à preocupação constante com o estado de graça que, a todo momento, deve ser colocado sob a análise da doutrina da prova.Metodismo Como o próprio nome sugere, no Metodismo a preocupação doutrinal concentra-se no caráter sistemático e metódico da conduta do sentido na obtenção da graça divina. Existe uma forte ênfase no que se refere ao aspecto emocional, cuja absoluta certeza do perdão tem “hora marcada” para acontecer. A serena convicção do Calvinismo quanto à autoconfiança na predestinação toma novo rumo no Metodismo, haja vista a predestinação empírica tornar-se evidente tão-somente por intermédio do juízo de terceiros. No Metodismo, as obras são os meios pelos quais podemos avaliar o estado de graça de alguém, contanto que sejam realizadas exclusivamente para a glória de Deus. Por fim, uma vez despertada a emoção, esta deve ser direcionada rumo a uma luta racional, objetivando, com isso, a perfeição. As Seitas Batistas O princípio fundamental deste grupo religioso repousa no campo ético, o qual difere, em princípio, da doutrina calvinista. Como o próprio nome revela: seitas, porque possuem a propriedade de redimir as pessoas. O dom da salvação, nesse caso, ocorre mediante a revelação individual, ou seja, “pela ação do espírito Divino do indivíduo, e apenas deste modo”, consoante Weber. Nesse sentido, os batistas estão incumbidos de dar continuidade às revelações de Deus que, a princípio, foram dirigidas aos apóstolos. Partindo do princípio de que somente a luz interior de contínua revelação habilita alguém a entender a Bíblia, os batistas desvalorizam todos os sacramentos, pois Deus, na concepção da doutrina batista, nos fala por intermédio da consciência. Desse modo, ocorre o fenômeno da rejeição da predestinação, substituída pela idéia de “Espera” (“meeting”, dos quakers). Da atitude individual, que resulta de todas estas convicções, os elementos que constituem as Seitas Batistas qualificam-se pela ponderação nos negócios, cercada de atitudes tipicamente individuais. Do embate necessário dos crentes batistas serem obrigados a viverem no mundo, relacionando-se socialmente com os não-crentes, surge a vocação estritamente de caráter econômico. Tendo em vista a oposição quanto a qualquer tipo de vida aristocrática, os batistas são orientados a assumir vocações apolíticas, atitude que resulta em máximas tais quais: “filosofia de vida”; “a honestidade é a melhor política”, dentre outras. Por fim, Calvino considerou o cristão livre de todas as proibições inexistentes nas Escrituras, o que torna lícitas as práticas do capitalismo, em especial o empréstimo a juros – até então condenado pela Igreja Romana. Portanto, caso comparado a Lutero, Calvino foi mais liberal quanto à questão da usura. Enquanto Lutero hostilizava as práticas capitalistas, considerando-as “obra do demônio”, ao contrário, Calvino afirmava que “Deus dispôs todas as coisas de modo a determinarem a sua própria vontade.” Ou ainda: “Deus chama cada um para uma vocação particular cujo objetivo é a glorificação dele mesmo. O comerciante que busca o lucro, pelas qualidades que o sucesso econômico exige: o trabalho, a sobriedade, a ordem, responde também o chamado de Deus, santificando de seu lado o mundo pelo esforço e sua ação é santa.” ................................. O Calvinismo constitui-se na religião do sistema capitalista. Muitos afirmam que a doutrina de Calvino sobre a usura foi um dos fermentos que fizeram desenvolver no mundo ocidental a mentalidade capitalista. Max Weber, na consagrada obra “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, em muito contribuiu para a difusão dos referidos argumentos.BIBLIOGRAFIAWEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. 4 ed. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1985.PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROSCampinas, é primavera de 2006.* NOTARecomendação ao futuro leitor: consultar o livro in “Notas do Autor”, visto que, para a construção do presente texto, Max Weber fez uso de uma vasta bibliografia, dando origem a uma profusão de citações ou notas que ocupa grande parte do livro, isto é, da página 133 até a página 225, merecendo, do meu ponto de vista, um outro estudo.

SÍLVIO MEDEIROS


Artigo do Prof. Dr. Sílvio Medeiros, para acessar o site original clique aqui.

Max Weber

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Friedrich Engels

Friedrich Engels
Friedrich Engels faleceu em Londres a 5 de Agosto (24 de Julho) de 1895. A seguir ao seu amigo Karl Marx (que morreu em 1883), Engels foi o mais notável sábio e mestre do proletariado contemporâneo em todo o mundo civilizado. Desde o dia em que o destino juntou Karl Marx e Friedrich Engels, a obra a que os dois amigos consagraram toda a sua vida converteu-se numa obra comum.
Assim, para compreender o que Friedrich Engels fez pelo proletariado, é necessário ter-se uma ideia precisa do papel desempenhado pela doutrina e actividade de Marx no desenvolvimento do movimento operário contemporâneo. Marx e Engels foram os primeiros a demonstrar que a classe operária e as suas reivindicações são um produto necessário do regime económico actual que, juntamente com a burguesia, cria e organiza inevitavelmente o proletariado; demonstraram que não são as tentativas bem intencionadas dos homens de coração generoso que libertarão a humanidade dos males que hoje a esmagam, mas a luta de classe do proletariado organizado.
Marx e Engels foram os primeiros a explicar, nas suas obras científicas, que o socialismo não é uma invenção de sonhadores, mas o objectivo final e o resultado necessário do desenvolvimento das forças produtivas da sociedade actual. Toda a história escrita até aos nossos dias é a história da luta de classes, a sucessão no domínio e nas vitórias de umas classes sociais sobre outras. E este estado de coisas continuará enquanto não tiverem desaparecido as bases da luta de classes e do domínio de classe: a propriedade privada e a produção social anárquica. Os interesses do proletariado exigem a destruição destas bases, contra as quais deve, pois, ser orientada a luta de classe consciente dos operários organizados. E toda a luta de classe é uma luta política.
Todo o proletariado que luta pela sua emancipação tornou hoje suas estas concepções de Marx e Engels; mas nos anos 40, quando os dois amigos começaram a colaborar em publicações socialistas e a participar nos movimentos sociais da sua época, eram inteiramente novas. Então, eram numerosos os homens de talento e outros sem talento, honestos ou desonestos, que, no ardor da luta pela liberdade política, contra a arbitrariedade dos reis, da polícia e do clero, não viam a oposição dos interesses da burguesia e do proletariado. Não admitiam sequer a ideia de os operários poderem agir como força social independente. Por outro lado, um bom número de sonhadores, algumas vezes geniais, pensavam que seria suficiente convencer os governantes e as classes dominantes da iniquidade da ordem social existente para que se tornasse fácil fazer reinar sobre a terra a paz e a prosperidade universais. Sonhavam com um socialismo sem luta.
Finalmente, a maior parte dos socialistas de então e, de um modo geral, os amigos da classe operária, não viam no proletariado senão uma chaga a cujo crescimento assistiam com horror à medida que a indústria se desenvolvia. Por isso todos procuravam o modo de parar o desenvolvimento da indústria e do proletariado, parar a «roda da história». Contrariamente ao temor geral ante o desenvolvimento do proletariado, Marx e Engels punham todas as suas esperanças no contínuo crescimento numérico deste. Quanto mais proletários houvesse, e maior fosse a sua força como classe revolucionária, mais próximo e possível estaria o socialismo. Pode exprimir-se em poucas palavras os serviços prestados por Marx e Engels à classe operária dizendo que eles a ensinaram a conhecer-se e a tomar consciência de si mesma, e que substituíram os sonhos pela ciência.
É por isso que o nome e a vida de Engels devem ser conhecidos por todos os operários; é por isso que, na nossa compilação, cujo fim, como o de todas as nossas publicações, é acordar a consciência de classe dos operários russos, devemos dar um apanhado da vida e da actividade de Friedrich Engels, um dos dois grandes mestres do proletariado contemporâneo.
Engels nasceu em 1820 em Barmen, na província renana do reino da Prússia. O pai era um fabricante. Em 1838, Engels teve de abandonar por motivos familiares os estudos no liceu e de entrar como empregado numa casa de comércio de Bremen. Este trabalho não o impediu de completar a sua instrução científica e política. Foi desde o liceu que ele ganhou ódio ao absolutismo e à arbitrariedade da burocracia. Os seus estudos de filosofia levaram-no ainda mais longe. Predominava então na filosofia alemã a doutrina de Hegel, e Engels tornou-se seu discípulo. Embora Hegel fosse, por seu lado, um admirador do Estado prussiano absolutista, ao serviço do qual se encontrava na qualidade de professor na Universidade de Berlim, a sua doutrina era revolucionária. A fé de Hegel na razão humana e nos seus direitos e o princípio fundamental da filosofia hegeliana segundo o qual o mundo é teatro de um processo permanente de mudança e desenvolvimento conduziram os discípulos do filósofo berlinense, que não queriam acomodar-se à realidade, à ideia de que a luta contra a realidade, a luta contra a iniquidade existente e o mal reinante, também procede da lei universal do desenvolvimento perpétuo.
Se tudo se desenvolve, se certas instituições são substituídas por outras, porque é que o absolutismo do rei da Prússia ou do tsar da Rússia, o enriquecimento de uma ínfima minoria à custa da imensa maioria, o domínio da burguesia sobre o povo, hão-de perdurar eternamente? A filosofia de Hegel tratava do desenvolvimento do espírito e das ideias; era idealista. Do desenvolvimento do espírito a filosofia de Hegel deduzia o desenvolvimento da natureza, do homem e das relações entre os homens no seio da sociedade. Retomando a ideia hegeliana de um processo perpétuo de desenvolvimento(1), Marx e Engels rejeitaram a sua preconcebida concepção idealista; analisando a vida real, viram que não é o desenvolvimento do espírito que explica o da natureza, mas que, pelo contrário, é necessário explicar o espírito a partir da natureza, da matéria...
Contrariamente a Hegel e outros hegelianos, Marx e Engels eram materialistas. Partindo de uma concepção materialista do mundo e da humanidade, verificaram que, tal como todos os fenómenos da natureza têm causas materiais, igualmente o desenvolvimento da sociedade humana é condicionado pelo desenvolvimento de forças materiais, as forças produtivas. Do desenvolvimento das forças produtivas dependem as relações que se estabelecem entre os homens no processo de produção dos objectos necessários à satisfação das necessidades humanas.
E são estas relações que explicam todos os fenómenos da vida social, as aspirações do homem, as suas ideias e as suas leis. O desenvolvimento das forças produtivas cria relações sociais que se baseiam na propriedade privada; mas vemos hoje esse mesmo desenvolvimento das forças produtivas privar a maioria dos homens de toda a propriedade e concentrar esta nas mãos de uma ínfima minoria; ele destrói a propriedade, base da ordem social contemporânea, e tende ele próprio para o objectivo que se fixaram os socialistas. Estes últimos devem apenas compreender qual é a força social que, pela sua situação na sociedade actual, está interessada na realização do socialismo, e incutir nesta força a consciência dos seus interesses e da sua missão histórica. Esta força é o proletariado. Engels conheceu-o na Inglaterra, em Manchester, centro da indústria inglesa, onde se fixou em 1842 como empregado de uma firma comercial de que seu pai era um dos accionistas. Aí Engels não se limitou a permanecer no escritório da fábrica: percorreu os bairros sórdidos em que viviam os operários e viu com os seus próprios olhos a miséria e os males que os afligiam.
Não se limitando à sua observação pessoal, Engels leu tudo o que antes dele se tinha escrito sobre a situação da classe operária inglesa e estudou minuciosamente todos os documentos oficiais que pôde consultar. O resultado dos seus estudos e observações foi um livro que saiu em 1845: A Situação da Classe Operária em Inglaterra. Já atrás assinalámos o principal mérito de Engels como autor dessa obra. É certo que antes dele muitos tinham descrito os sofrimentos do proletariado e indicado a necessidade de lhe prestar ajuda. Engels foi o primeiro a declarar que o proletariado não é só uma classe que sofre, mas que a miserável situação económica em que se encontra empurra-o irresistivelmente para a frente e obriga-o a lutar pela sua emancipação definitiva.
E o proletariado em luta ajudar-se-á a si mesmo.
O movimento político da classe operária levará, inevitavelmente, os operários à consciência de que não há para eles outra saída senão o socialismo. Por seu lado, o socialismo só será uma força quando se tornar o objectivo da luta política da classe operária. Tais são as ideias fundamentais do livro de Engels sobre a situação da classe operária em Inglaterra, ideias hoje aceites por todo o proletariado que pensa e luta, mas que eram então absolutamente novas. Estas ideias foram expostas numa obra escrita num estilo cativante onde abundam os quadros mais verídicos e impressionantes da miséria do proletariado inglês. Este livro era uma terrível acusação contra o capitalismo e a burguesia. Produziu uma impressão muito grande. Em breve, por toda a parte começaram a referir-se a ele como o quadro mais fiel da situação do proletariado contemporâneo. E, com efeito, nem antes nem depois de 1845 apareceu uma descrição tão brilhante e tão verdadeira dos males sofridos pela classe operária.
Engels só se tornou socialista em Inglaterra. Em Manchester pôs-se em contacto com os militantes do movimento operário inglês de então e começou a escrever para as publicações socialistas inglesas. Em 1844, ao passar por Paris de regresso à Alemanha conheceu Marx, com quem se correspondia já há algum tempo, e que se tinha igualmente tornado socialista durante a sua estada em Paris, sob a influência dos socialistas franceses e da vida em França. Foi aí que os dois amigos escreveram em conjunto A Sagrada Família ou Crítica da Crítica Crítica.
Este livro, escrito na sua maior parte por Marx, e saído um ano antes de A Situação da Classe Operária em Inglaterra, contém as bases do socialismo materialista revolucionário de que atrás expusemos as ideias essenciais. A Sagrada Família é uma denominação jocosa dada a dois filósofos, os irmãos Bauer, e aos seus discípulos. Estes senhores pregavam uma crítica que se colocava acima de toda a realidade, acima dos partidos e da política, repudiava toda a actividade prática e limitava-se a contemplar «criticamente» o mundo circundante e os acontecimentos que nele se produziam. Os senhores Bauer qualificavam desdenhosamente o proletariado de massa desprovida de espírito crítico. Marx e Engels opuseram-se categoricamente a esta tendência absurda e nefasta.
Em nome da verdadeira personalidade humana, do operário espezinhado pelas classes dominantes e pelo Estado, Marx e Engels exigiam não uma atitude contemplativa, mas a luta por uma melhor ordem social. Era, evidentemente, no proletariado que eles viam a força capaz de travar esta luta e directamente interessada em fazê-la triunfar. Já antes do aparecimento de A Sagrada Família, Engels tinha publicado na revista Anais Franco-Alemães editada por Marx e Ruge o seu Estudo Crítico sobre a Economia Política[N58] em que analisava, de um ponto de vista socialista, os fenómenos essenciais do regime económico contemporâneo como consequências inevitáveis da dominação da propriedade privada. As suas relações com Engels contribuíram incontestavelmente para que Marx se decidisse a ocupar-se do estudo da economia política, ciência em que os seus trabalhos iriam operar uma verdadeira revolução.
De 1845 a 1847 Engels viveu em Bruxelas e em Paris, aliando os estudos científicos com uma actividade prática entre os operários alemães destas duas cidades. Foi aí que Marx e Engels entraram em contacto com uma associação secreta alemã, «Liga dos Comunistas», que os encarregou de expor os princípios fundamentais do socialismo elaborado por eles. Assim nasceu o célebre Manifesto do Partido Comunista de Marx c Engels, publicado em 1848. Este pequeno livrinho vale por tomos inteiros: ele inspira e anima até hoje todo o proletariado organizado e combatente do mundo civilizado.
A revolução de 1848, que rebentou primeiro em França e se propagou em seguida aos outros países da Europa ocidental, permitiu a Marx e Engels regressarem à sua pátria. Aí, na Prússia renana, tomaram a direcção da Nova Gazeta Renana, jornal democrático que se publicava em Colónia. Os dois amigos eram a alma de todas as tendências democráticas revolucionárias da Prússia renana. Defenderam até ao fim os interesses do povo e da liberdade contra as forças da reacção. Estas últimas, como é sabido, acabaram por triunfar. A Nova Gazeta Renana foi proibida. Marx, que enquanto se encontrava na emigração tinha sido privado da nacionalidade prussiana, foi expulso. Quanto a Engels, tomou parte na insurreição armada do povo e combateu em três batalhas pela liberdade, e, após a derrota dos insurrectos, fugiu para Londres através da Suíça.
Foi igualmente em Londres que Marx veio fixar-se. Engels em breve voltou a ser empregado, e mais tarde sócio, da mesma casa comercial de Manchester onde tinha trabalhado nos anos 40. Até 1870 Engels viveu em Manchester e Marx em Londres, o que não os impediu de estar em estreito contacto espiritual; escreviam-se quase todos os dias. Nessa correspondência, os dois amigos trocavam as suas ideias e os seus conhecimentos, e continuaram a elaborar em conjunto a doutrina do socialismo científico. Em 1870, Engels veio fixar-se em Londres, e a sua vida intelectual conjunta, cheia de uma actividade intensa, prosseguiu até 1883, data da morte de Marx. Esta colaboração foi extremamente fecunda: Marx escreveu O Capital, a mais grandiosa obra de economia política do nosso século, e Engels toda uma série de trabalhos, grandes e pequenos. Marx dedicou-se à análise dos fenómenos complexos da economia capitalista.
Engels escreveu, num estilo simples, obras muitas vezes polémicas em que esclarecia os problemas científicos mais gerais e os diversos fenómenos do passado e do presente, inspirando-se na concepção materialista da história e na teoria económica de Marx. Dentre esses trabalhos de Engels citaremos: a sua obra polémica contra Dühring (onde analisa as questões capitais da filosofia, assim como das ciências naturais e sociais)(2), A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado (tradução russa saída em São Petersburgo, 3.a edição, 1895), Ludwig Feuerbach (tradução russa anotada por G. Plekhánov, Genebra, 1892), um artigo sobre a política externa do governo russo (traduzido em russo no Sotsial-Demokrat de Genebra, n.° 1 e 2)[N61], notáveis artigos sobre o problema da habitação[N62], e, finalmente, dois artigos, curtos mas de grande interesse, sobre o desenvolvimento económico da Rússia (Friedrich Engels sobre a Rússia[N63], tradução russa de Vera Zassúlitch, Genebra, 1894). Marx morreu sem ter conseguido completar a sua obra monumental sobre o capital. Contudo esta obra estava já terminada em rascunho e Engels, após a morte do amigo, assumiu a pesada tarefa de redigir e publicar os tomos II e III de O Capital. Editou o tomo II em 1885 e o tomo III em 1894 (não teve tempo de redigir o tomo IV) [N64]. Estes dois tomos exigiram um trabalho enorme da sua parte. O social-democrata austríaco Adler observou muito justamente que, editando os tomos II e III de O Capital, Engels ergueu ao seu genial amigo um grandioso monumento no qual, involuntariamente, tinha gravado também o seu próprio nome em letras indeléveis.
Estes dois tomos de O Capital são, com efeito, obra de ambos, de Marx e Engels. As lendas da Antiguidade contam exemplos comoventes de amizade. O proletariado da Europa pode dizer que a sua ciência foi criada por dois sábios, dois lutadores, cuja amizade ultrapassa tudo o que de mais comovente oferecem as lendas dos antigos. Engels, em geral com toda a razão, sempre se apagou diante de Marx. «Ao lado de Marx, escreveu ele a um velho amigo, fui sempre o segundo violino.»[N65] O seu carinho por Marx enquanto este viveu e a sua veneração à memória do amigo morto foram ilimitados. Este militante austero e pensador rigoroso tinha uma alma profundamente afectuosa.
Durante o seu exílio, depois do movimento de 1848-1849, Marx e Engels não se dedicaram unicamente ao trabalho científico. Marx fundou em 1864 a "Associação Internacional dos Trabalhadores», de que assegurou a direcção durante dez anos. Engels desempenhou nela, igualmente, um papel considerável. A actividade da «Associação Internacional», que unia, de acordo com os ideais de Marx, os proletários de todos os países, teve uma enorme importância no desenvolvimento do movimento operário. Mesmo após a sua dissolução, nos anos 70, continuou o papel de Marx e Engels como unificadores da classe operária. Melhor: pode dizer-se que a sua importância como dirigentes espirituais do movimento operário não cessou de crescer, pois o próprio movimento se desenvolvia sem parar. Após a morte de Marx, Engels, sozinho, continuou a ser o conselheiro e o dirigente dos socialistas da Europa. A ele vinham pedir conselhos e indicações tanto os socialistas alemães, cuja força crescia contínua e rapidamente apesar das perseguições governamentais, como os representantes dos países atrasados, por exemplo, os espanhóis, romenos, russos, que meditavam e mediam então os seus primeiros passos. Todos eles corriam ao riquíssimo tesouro dos conhecimentos e experiência do velho Engels.
Marx e Engels, que conheciam o russo e liam obras publicadas nessa língua, interessaram-se vivamente pela Rússia, seguiam com simpatia o movimento revolucionário do nosso país e mantinham relações com os revolucionários russos. Ambos eram já democratas antes de se tornarem socialistas e tinham profundamente arraigado o sentimento democrático de ódio à arbitrariedade política. Este sentimento político nato, aliado a uma profunda compreensão teórica da relação existente entre a arbitrariedade política e a opressão económica, assim como a sua riquíssima experiência da vida, tinham tornado Marx e Engels extraordinariamente sensíveis precisamente no sentido político.
Por isso a luta heróica de um pequeno punhado de revolucionários russos contra o poderoso governo tsarista encontrou a mais viva simpatia no coração dos dois experimentados revolucionários. Inversamente, toda a veleidade de voltar as costas, em nome de pretensas vantagens económicas, à tarefa mais importante e mais imediata dos socialistas russos — a conquista da liberdade política — parecia-lhes naturalmente suspeita, vendo mesmo nisso uma traição à grande causa da revolução social. «A emancipação do proletariado deve ser obra do próprio proletariado», eis o que ensinavam constantemente Marx e Engels[N66]. E para lutar pela sua emancipação económica, o proletariado deve conquistar certos direitos políticos. Além disso, Marx e Engels viram com toda a clareza que uma revolução política na Rússia teria também uma enorme importância para o movimento operário na Europa ocidental. A Rússia autocrática foi sempre o baluarte de toda a reacção europeia.
A situação internacional excepcionalmente favorável em que a Rússia se encontrou depois da guerra de 1870, que semeou durante muito tempo a discórdia entre a França e a Alemanha, não podia evidentemente deixar de fazer aumentar a importância da Rússia autocrática como força reaccionária. Só uma Rússia livre, que não tivesse necessidade de oprimir os Polacos, os Finlandeses, os Alemães, os Arménios e outros pequenos povos, nem de lançar, incessantemente, a França e a Alemanha uma contra a outra, permitiria à Europa contemporânea respirar aliviada do peso das guerras, enfraqueceria todos os elementos reaccionários da Europa e aumentaria as forças da classe operária europeia. Por isso mesmo Engels advogou calorosamente a instauração da liberdade política na Rússia no próprio interesse do movimento operário do Ocidente. Os revolucionários russos perderam nele o seu melhor amigo.
Fonte: www.marxists.org
Friedrich Engels
Barmen, 1820 - Londres, 1895
Filósofo alemão. Oriundo de uma família da burguesia industrial, observa e conhece desde jovem as penosas condições de vida dos trabalhadores, tanto na Alemanha como em Inglaterra. Independentemente de Marx, e inclusive antes dele, chega a posições teóricas e políticas revolucionárias. Prova disso é a sua obra de 1845, A Situação da Classe Trabalhadora em Inglaterra, fruto de dois anos de estada em Manchester. Este livro é a sua primeira análise de uma situação histórica determinada, cujas formas de existência e de luta social são explicáveis em virtude das condições económicas dominantes. A partir deste delineamento, Engels postula a necessidade de uma transformação radical de tipo comunista. A atitude intelectual de Engels diferencia-se da de Marx: enquanto o primeiro se centra no carácter concreto dos fenómenos que estudava, o segundo fá-lo com um alto nível de abstracção. Em termos gerais esta característica mantém-se ao longo de toda a sua colaboração. Fruto dela, assim como da sua dedicação à luta política, são o Manifesto do Partido Comunista, de 1848, e a constituição, dois anos mais tarde, de uma Associação Internacional de Trabalhadores.
Em 1848 instala-se em Manchester, de onde colabora activamente na tentativa revolucionária que tem lugar nesse ano, entre outros locais, na Alemanha. Engels, sem perder de vista os estudos e análises económicas de Marx, dedica-se a pôr-se em dia quanto aos grandes progressos registados naqueles anos nos diversos ramos do saber. Graças a esta incansável actividade intelectual pode preparar e completar a edição de boa parte de O Capital, de Karl Marx, e elaborar uma série de escritos polémicos destinados a esclarecer as fases do materialismo: A Revolução Científica do Senhor Dühring (obra conhecida como Anti-Dühring), A Origem da Família da Propriedade Privada e do Estado e A Dialéctica da Natureza (publicada postumamente).
Fonte: www.vidaslusofonas.pt
Friedrich Engels
ENGELS, Friedrich (1820-1895).
Dirigente e mestre do proletariado; fundou, em colaboração com Karl Marx, a teoria marxista, a teoria do comunismo científico, a filosofia do materia­lismo dialéctico e histórico.
Nasceu na cidade de Barmen (Alemanha).
Desde os ‘seus anos de juventude, Engels sentiu-se atraído para a luta pela transformação das relações sociais dominantes.
No Outono de 1841, ingressou no serviço militar, que cumpriu em ‘Berlim; aproveitava o tempo livre para assistir a aulas da Universidade.
Aderiu à ala esquerda dos jovens hegelianos.
Publicou, então, uma brilhante e profunda crítica às ideias místico-religiosas de Schelling (Schelling e a revelação», 1842, e outros trabalhos).
Simultaneamente, critica também Hegel pelas suas conclusões conservadoras e pelas contradi­ções da sua dialéctica idealista.
Nas ideias de ‘Engels, produz-se uma autêntica mudança radical quando se encontra em Inglaterra, país a que se deslocara, por insistência de seu pai, para se dedicar aos estudos comerciais.
Ao tomar contacto com a vida da classe operária do país do capitalismo então mais desenvolvido, Engels reflectiu profundamente sobre as causas da insuportável situação económica do proletariado e da sua carência de direitos políticos, estudou as insuficiências ideológicas que se notavam no movimento cartista, com as sua ideias utópicas sobre a renúncia voluntária dos capitalistas ao poder.
Em resultado dos seus estudos, apareceram os trabalhos «Apontamentos para uma crítica da economia política» (1844), qualificado por Marx como esboço genial da crítica às categorias económicas, e «A situação da classe operária na Inglaterra» (publicado em 1845).
Nesses trabalhos, Engels deu uma explicação científica da missão histórica do proletariado, pela primeira vez que o proletariado não é apenas uma classe que sofre, como, ainda, uma classe que luta pela sua libertação.
Em Inglaterra, Engels torna-se socialista.
Em breve abandona este pais e em 1844 encontra-se com Marx em Paris.
Aquele encontro foi o ponto de partida da profunda e comovedora amizade dos dois grandes homens, amizade que se cimentava numa comunidade de ideias e de luta prática.
As obras «A Sagrada Família Alemã» e «A Ideologia Alemã», por eles escritas em 1844-1846, são consagradas ao exame crítico das concepções filosóficas - então dominantes - de Hegel, Feuerbach e seus discípulos, assim como à elaboração dos fundamentos do materialismo dialéctico e histórico.
Simultaneamente, Marx e Engels levam a cabo um imenso trabalho prático para organizar a «Liga dos Comunistas», depois convertida no partido revolucionário do proletariado.
Em 1847, Engels escreve o projecto de programa da «Liga», «Princípios do comunismo», que depois foi como base para a elaboração do «Manifesto do Partido comunista» (1848), que proclamava o nascimento de uma doutrina marxista íntegra, da ideologia científica da classe operária.
A actividade jornalística de Engels foi de grande importância para a propaganda da teoria da luta proletária e para dar coesão às forças democráticas.
Engels recebe o baptismo de fogo nos acontecimentos que tiveram lugar na Alemanha em 1848-1849, combatendo nas fileiras das tropas revolucionárias.
Vencida a revolução, abandona a sua terra com os últimos destacamentos de patriotas.
Nos anos seguintes, vivendo na emigração, Engels generaliza a experiência da revolução alemã nos seus trabalhos «A guerra camponesa na Alemanha» e «Revolução e contra-revolução na Alemanha», revelando o papel dos camponeses como aliados do proletariado e desmascarando a traição da burguesia.
Depois de ter fixado a sua residência na Inglaterra, para onde também se muda Marx, Engels participa activamente •no movi­mento operário, na fundação da ‘1 Internacional e na luta contra as concepções oportunistas pequeno-burguesas e anarquistas.
Desde então, Engels, no decurso de quatro decénios, ajuda por todos os meios Marx no trabalho que este leva a cabo sobre «O Capital», cujos segundo e terceiro tomas são •editados pelo próprio Engels, já depois da morte do seu grande amigo, desen­volvendo um enorme labor de investigação.
Enquanto Marx dedicava a sua principal atenção à preparação de «O Capital», Engels continuava trabalhando para fundamentar e desenvolver em todos os sentidos a filosofia do materialismo dialéctica ~ histórico.
A sua contribuição para dotar de sólidos conhecimentos a filosofia do marxismo, é imensa.
Obras como «Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã», o «Anti-Dühring», «A origem da família, da propriedade privada e do Estado», e outras, con­tinuam constituindo a explicação clássica da essência e do valor da filosofia marxista.
É singularmente elevado o mérito de Engels no que se refere à aplicação das ideias do materialismo dialéctica à ciência natural.
As teses enunciadas por Engels nos livros «:Ludwig Feuerbach.
», «Anti-Duhring» e, sobretudo, «Dia­léctica da Natureza» são ideias cuja profundidade só começou a ser entendida depois de muitos decénios.
Muitas das desco­bertas fundamentais da ciência do século XX foram, na essência, previstas por Engels (por exemplo, a concepção da indissolubilidade entre a matéria e o movimento, assim como a teoria, relacionada com esta ideia, da unidade de espaço e tempo; a representação acerca do carácter inesgotável das formas da matéria e da complexa estrutura do átomo; a crítica da teoria sobre a «morte térmica» do universo; a concepção da vida como forma do movimento da matéria e como surgida num determinado estádio do desenvolvimento da natureza inorgânica, etc.).
Os seus grandes conhecimentos sobre diversos ramos do saber, permitiram a Engels elaborar um sistema bem estruturado de classificação das ciências, situando, na base do que têm de especifico cada uma das disciplinas, as formas objectivas do movimento da matéria.
Engels nega-se decididamente a atribuir à filosofia o papel que lhe não corresponde de ciência das ciências e insiste no valor metodológico da filosofia.
Proporcionou à filosofia uma bússola que lhe permite orientar-se nos inumeráveis sistemas e escolas do passado ao formular o problema básico da filosofia e ao pôr a claro o carácter de classe que esta possui.
São de extraordinária importância a contribuição de Engels para o desenvolvimento da teoria do conhecimento e a sua crítica do agnosticismo.
Possuem um valor duradouro e a sua proposição e elaboração de vários problemas da lógica dialéctica.
Engels desenvolve as teses fundamentais do materialismo histórico e dedica muita atenção à crítica das representações vulgares sobre a concepção materialista da história demonstra que o papel determinante das condições económica na vida dos homens não reduz no que quer que seja a transcendência das ideias, nem tão-pouco o significado da personalidade na história, luta contra as interpretações mecanicistas do nexo e da correlação entre a base e a superestrutura ideológica, etc.
DIALÉCTICA DA NATUREZA
Obra de Engels, publicada pela primeira vez na URSS (1925).
Compõe-se de uma série de escritos (1873-1886) sobre os mais importantes problemas da dialéctica da natureza.
Engels considerava que a filosofia do materialismo dialéctico, devia basear-se no conhecimento das ciências naturais em todos os seus aspectos, e que estas ciências, por sua vez, só se podem desenvolver fecundante na base do materialismo dialéctico.
Na «Dialéctica da natureza» faz-se uma profunda investigação filosófica da história e dos problemas capitais da ciência natural, uma crítica do materialismo mecanicista, do método metafísico, assim como das con­cepções idealistas na ciência natural.
Muito versado na ciência da sua época, Engels mostrou como a concepção metafísica da natureza se quebra internamente devido ao próprio avanço da ciência e deve ceder o seu lugar ao método dialéctico; sublinhou, igualmente, que os naturalistas se vêem crescentemente obrigados a passar do pensamento metafísico ao dialéc­tico, o que se reflecte muito fecundamente na própria ciência natural.
Engels expôs, dando-lhe um amplo e sólido fundamento, a teoria materialista dialéctica sobre as formas do movimento da matéria; aplicando esta teoria, investigou os princípios relativos à classificação das ciências naturais, estabeleceu a sua classificação concreta que utilizou na estruturação do seu trabalho.
Engels submeteu a uma circunstanciada investigação filosófica as leis fundamentais da ciência natural e mostrou o carácter dialéctico destas leis.
Assim, revelou o sentido autêntico da lei da conservação e transformação da energia, a que denominou lei absoluta da natureza.
Examinou também o chamado segundo principio da termodinâmica e mostrou a falsidade da conclusão segundo a qual o universo se encaminha para a sua morte térmica («Morte térmica» do universo).
Depois, Engels analisou com grande profundidade a teoria de Darwin sobre a origem das espécies e demonstrou que o seu conteúdo principal - a teoria do desenvolvimento concorda completamente com a dialéctica materialista.
Simultaneamente, descobriu na darwiniana certas lacunas e insuficiências.
Dedicou muita atenção ao estudo do papel do trabalho na formação e desenvolvimento do homem.
Demonstrou, também, que as operações e conceitos matemáticos são um reflexo das relações que se verificam entre coisas e processos na própria natureza, em que aqueles têm os seus protótipos reais; sublinhou que a introdução da grandeza variável na matemática superior significa que a dia­léctica penetra nela.
Engels investigou a relação entre casualidade e necessidade.
Com admirável mestria dialéctica salientou o erro tanto da posição idealista como da posição mecanicista na focalização deste complexo problema e deu-lhe uma solução marxista; pôs a claro, tomando como exemplo a teoria darwiniana, que a própria ciência natural confirma e concretiza as teses da dialéctica.
Claro está que algumas questões particulares que se relacionam com problemas especiais da ciência natural e que foram tratados por Engels na sua «Dialéctica da natureza» envelheceram, e não podiam deixar de envelhecer, dado o enorme progresso da ciência; mas a maneira materialista dialéctica de proceder à análise das questões científicas e de filosóficos e as generalizar, conserva inteiramente a sua actualidade nos nossos dias.
Muitas das teses da obra anteciparam-se em dezenas de anos ao desenvolvimento da ciência natural.
O livro constitui um modelo de como se deve focar de modo dialéctico, os complicados problemas desta ciência.
Engels não tinha preparado para a impressão a sua «Dialéctica da natureza», que consta de artigos soltos, notas e fragmentos, facto que se deve ter em conta ao proceder ao estudo da obra.
Fonte: uk.geocities.com

Friedrich Engels

Friedrich Engels
1820 - 1895
Filósofo alemão, nascido em Barmen, cidade renana da Prússia, hoje parte de Wuppertal, principal colaborador de Karl Marx na elaboração das teorias do materialismo histórico.
Filho de um rico industrial protestante, na juventude, ainda estudante, trabalhou nos escritórios de uma empresa de exportação da família e ficou impressionado com a miséria em que viviam os trabalhadores das fábricas.
Suas observações nesse período formaram a base de uma de suas obras principais, A situação das classes trabalhadoras na Inglaterra (1845).
Assim se aproximou dos Jovens Alemães, grupo de escritores liberais e revolucionários, entre os quais figurava o poeta Heinrich Heine e logo se juntou aos Jovens Hegelianos, entre os quais figuravam o teólogo e historiador Bruno Bauer e o anarquista Max Stirner, aderindo às idéias de esquerda, o que o levou a conhecer Karl Heinrich Marx, em Colônia.
Em Bremen iniciou sua brilhante carreira de jornalista, sob o pseudônimo de Friedrich Oswald, até que se transferiu para a Inglaterra (1842), onde assumiu por alguns anos a direção de uma das fábricas do pai, em Manchester.
Durante uma breve permanência em Paris (1844), iniciou a amizade e a colaboração com Marx, para logo depois se estabelecer em Bruxelas.
De volta à Paris organizou a Liga Comunista (1847), oriunda de uma sociedade secreta chamada Liga dos Justos.
Em colaboração com Marx divulgou o Manifest der Kommunistischen Partei (Manifesto comunista, 1848) e escreveu Marx Die deutsche Ideologie (1848).
Após uma fracassada tentativa revolucionária (1848) em Barmen e no Platinado, foi obrigado a se exilar da Alemanha, passando sucessivamente na Itália, na Suíça e por último na Inglaterra, onde voltou às atividades nas empresas paternas, ao mesmo tempo em que escrevia numerosos artigos em jornais, que apareceram primeiro assinados por Marx e depois com o nome de seu autor e o título geral de Revolution and Counter-Revolution in Germany in 1848.
Decidiu, então, abandonar definitivamente sua atividade comercial para se dedicar integralmente à difusão da doutrina comunista em jornais e revistas e aos contatos com dirigentes socialistas nos principais países europeus (1878).
Participou da criação e organização da Associação Internacional dos Trabalhadores e, depois da morte de Marx, (1883), completou os volumes II e III de Das Kapital, O capital, que o autor não pudera concluir.
Morreu em Londres e muitos de seus trabalhos foram produzidos em colaboração com Marx, o que lhe valeria a fama injusta de ser apenas um ajudante.
Hoje se sabe, pelo contrário, que escreveu sozinho algumas das obras mais importantes para o desenvolvimento do que viria a ser chamado de Marxismo, como Die Lage der arbeitenden Klasse in England (1845), Der deutsche Bauernkrieg (1850), Anti-Dühring (1878), Ludwig Feuerbach und der Ausgang der klassischen deutschen Philosophie (1888) e Der Ursprung der Familie, des Privateigenthums und des Staats (1894).
Fonte: www.dec.ufcg.edu.br
Friedrich Engels
Friedrich Engels
Friedrich Engels (1820-1895), filho de um rico industrial de Barmen (Alemanha), é o principal colaborador de Karl Marx na elaboração das teorias do materialismo histórico.
Na juventude, fica impressionado com a miséria em que vivem os trabalhadores das fábricas de sua família. Quando estudante, adere a idéias de esquerda, o que o leva a aproximar-se de Marx.
Assume por alguns anos a direção de uma das fábricas do pai em Manchester e suas observações nesse período formam a base de uma de suas obras principais, A situação das classes trabalhadoras na Inglaterra, publicada em 1845. Muitos de seus trabalhos posteriores são produzidos em colaboração com Marx, o mais famoso deles é o Manifesto Comunista(1848).
Escreve sozinho, porém, algumas das obras mais importantes para o desenvolvimento do Marxismo,como Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia alemã, A evolução do socialismo, de utopia a ciência e A origem da família, da propriedade privada e do Estado.
Fonte: virtualbooks.terra.com.br
Friedrich Engels
Friedrich Engels (1820 - 1895)
Filósofo alemão.
Nasceu em Barmen, na Westfália, filho de um rico industrial. Opôs-se ao poder monárquico prussiano. Prestou serviço militar em Berlim, travando contato com a filosofia hegeliana.
Em 1844, o encontro com Karl Marx, em Paris, mudou conferiu novo direcionamento a seu pensamento.
A partir deste momento, os dois filósofos iniciaram uma colaboração e troca de idéias que duraria por toda a vida.
Engels desenvolveu várias atividades; além de dedicar-se aos escritos filosóficos, trabalhou em periódicos, trabalhou na fábrica de tecidos que seu pai possuía, em Manchester e participou intensamente da atividade política de seu tempo. Faleceu em Londres.
Algumas de suas principais obras:
Esboço de uma crítica da economia política
A situação da classe trabalhadora na Inglaterra
Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã
Dialética da Natureza
Origem da família, da propriedade e do Estado
Sobre a autoridade, Contribuição ao problema da habitação
Do socialismo utópico ao socialismo científico.
Contudo, seus escritos mais significativos foram elaborados em colaboração com Marx.
Entre eles, citamos:
A ideologia alemã
A sagrada família ou crítica da crítica crítica
Anti-Duhring
Manifesto do partido comunista.
Devido à estreita colaboração entre Marx e Engels, torna-se difícil distinguir precisamente a contribuição trazida por cada um destes pensadores à doutrina que recebeu a denominação, na história da filosofia, de marxismo.
Contudo, a filosofia de Engels, segundo seus escritos solitários permitem entrever, apresenta-se mais claramente como uma modalidade de materialismo. Segundo este autor, a grande divisão sistemática do pensamento reside na dicotomia entre idealismo e materialismo.
Este radica na afirmação de que a matéria constitui o fundamento da realidade, sendo o espírito um fenômeno que dela se deriva. Engels ampliou a concepção de materialismo histórico, que compreende a história a partir das relações econômicas de produção, para a tese de um materialismo dialético, estendendo a predominância da matéria a todas as dimensões constitutivas da realidade.
O modo como as relações se processam, com base no materialismo, é a dialética. Outra característica predominante no pensamento de Engels é a divisão entre infra-estrutura e superestrutura. A primeira diz respeito às condições econômicas de determinada época ou grupo social, condições fundamentais para o desenrolar de toda história.
A segunda corresponde às idéias, convicções políticas, religiosas, econômicas, formadas, em última instância, a partir da infra-estrutura. Contudo, as relações entre os dois planos não é, no entender de Engels, unívoca e linearmente causal; trata-se de um âmbito complexo de relações, de modo que um estudo rigoroso do fenômeno histórico não pode descartar o papel desempenhado pela superestrutura, tanto quanto a análise das condições infra-estruturais que possibilitaram este fenômeno.
Fonte: members.tripod
Friedrich Engels
Economista político e revolucionário alemão, (1820-1895), co-fundador, junto com Karl Marx, do socialismo científico, conhecido como comunismo.
Em Paris, em 1844, Engels visitou Marx, quando descobriram que tinham chegado às mesmas conclusões por caminhos separados, decidiram trabalhar em conjunto. Essa colaboração se prolongou até a morte de Marx em 1883 e teve dois sentidos: por um lado, realizaram a exposição sistemática dos princípios do comunismo, conhecido mais tarde como marxismo; por outro, organizaram um movimento comunista internacional.
O Manifesto comunista (1848), tido como a exposição clássica do comunismo moderno, foi escrito por Marx, baseando-se em um esboço preparado por Engels.
Depois do fracasso das revoluções de 1848, Engels se mudou para Londres em 1870, onde teve uma considerável influência na formulação dos programas e políticas da Primeira Internacional Comunista e da Segunda. Na Inglaterra, publicou o segundo e o terceiro volumes da obra de Marx, O capital.
Entre suas obras, destacam-se:
A situação da classe operária na Inglaterra (1844)
Anti-Dühring (1878)
A origem da família, da propriedade privada e do Estado (1884).
Fonte: orbita.starmedia.com
Friedrich Engels
Friedrich Engels foi um grande companheiro de Marx, tendo escrito livros de profunda análise social. De dezembro de 1847 a janeiro de 1848, junto com Marx, escreveu o Manifesto Comunista. Sem dúvida nenhuma Engels foi um Filósofo como poucos soube analisar a sociedade de forma muito eficiente, conquistando assim lugar de destaque na cultura Comunista.
Biografia
Friedrich Engels (1820-1895), filho de um rico industrial de Barmen (Alemanha), é o principal colaborador de Karl Marx na elaboração das teorias do materialismo histórico. Na juventude, fica impressionado com a miséria em que vivem os trabalhadores das fábricas de sua família. Quando estudante, adere a idéias de esquerda, o que o leva a aproximar-se de Marx. Assume por alguns anos a direção de uma das fábricas do pai em Manchester e suas observações nesse período formam a base de uma de suas obras principais, A situação das classes trabalhadoras na Inglaterra, publicada em 1845. Muitos de seus trabalhos posteriores são produzidos em colaboração com Marx, o mais famoso deles sendo o Manifesto Comunista (1848). Escreve sozinho, porém, algumas das obras mais importantes para o desenvolvimento do Marxismo, como Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia alemã , A evolução do socialismo, de utopia a ciência e A origem da família, da propriedade privada e do Estado .
Fonte: www.ujssantos.hpg.ig.com.br
Friedrich Engels
Friedrich Engels
Friedrich Engels foi um filósofo alemão que junto com Karl Marx fundou o chamado socialismo científico ou marxismo.
Ele foi co-autor de diversas obras com Marx, sendo que a mais conhecida é o Manifesto Comunista. Também ajudou a publicar, após a morte de Marx, os dois últimos volumes de O Capital, principal obra de seu amigo e colaborador.
Grande companheiro de Karl Marx, escreveu livros de profunda análise social. Entre dezembro de 1847 à janeiro de 1848, junto com Marx, escreve o Manifesto Comunista. Sem dúvida nenhuma, Engels foi um filósofo como poucos: soube analisar a sociedade de forma muito eficiente, influenciando diversos autores marxistas.
Biografia
Protetor e principal colaborador de Karl Marx, Engels desempenhou papel de destaque na elaboração da doutrina comunista. Nasceu em 28 de novembro de 1820 e morreu em 5 de agosto de 1895. Era filho de um rico industrial de Barmen (Alemanha), é o principal colaborador de Karl Marx na elaboração das teorias do materialismo histórico.
Na juventude, fica impressionado com a miséria em que vivem os trabalhadores das fábricas de sua família.
Quando estudante, adere a idéias de esquerda, o que o leva a aproximar-se de Marx. Assume por alguns anos a direção de uma das fábricas do pai em Manchester e suas observações nesse período formam a base de uma de suas obras principais: A situação das classes trabalhadoras na Inglaterra, publicada em 1845.
Muitos de seus trabalhos posteriores são produzidos em colaboração com Marx, o mais famoso deles é o Manifesto Comunista (1848). Escreve sozinho, porém, algumas das obras mais importantes para o desenvolvimento do Marxismo, como Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia alemã, Do socialismo utópico ao científico e A origem da família, da propriedade privada e do Estado.
Nascimento 28 de Novembro de 1820
Wuppertal, Renânia do Norte-Vestfália, Alemanha
Falecimento 5 de Agosto de 1895
Londres, Inglaterra
Nacionalidade Alemão
Ocupação Filósofo
Escola/tradição Marxismo (co-fundador, junto com Marx)
Principais interesses Filosofia política, Política, Economia, Luta de Classes, Evolucionismo Idéias notáveis Dialética da natureza, materialismo histórico, mais-valia, ideologia, alienação Influências Marx, Hegel, Feuerbach, Rousseau, Fourier, Smith, Ricardo, Stirner, Goethe Influenciados Mao, Trotsky, Lênin, Escola de Frankfurt, Luxemburgo, Sartre, Kautsky, Guevara, Lukács e outros...
Fonte: pt.wikipedia.org

quarta-feira, 25 de março de 2009

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Atividade: 250851 - SSOC - SEM 2 - PRODUÇÃO TEXTUAL - FILOSOFIA
Aluno: RONES JOSÉ BARBOSA